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Não temas José!
O martírio espiritual de São José
 
 

 

 

Certa vez disse Jesus: “Aquele que dentre vós for o menor este é o maior” (Lc 9, 48). Comentado esta passagem diz um grande Teólogo moderno: “O menor, quer dizer o mais humilde, o servidor de todos; é, pela conexão e proporção das virtudes, o que tem mais alta caridade. Quem na Igreja é o mais humilde? Sem dúvida, é aquele que não foi nem Apóstolo, nem Evangelista, nem mártir (pelo menos exteriormente), nem pontífice, nem padre, nem doutor, mas que conheceu e amou o Cristo Jesus não menos por certo que os apóstolos, os evangelistas, os mártires, os pontífices e os doutores: é o humilde operário de Nazaré, o humilde José”[1].

Contudo, muitas pessoas não reconhecem a grandiosa santidade de São José, devido ao fato de que, na Anunciação do Anjo a Maria, ele parece duvidar do poder de Deus ou mesmo duvidar da honestidade da pureza da própria Virgem Santíssima. Mas, isso não é verdade. Em nenhum momento José duvidou de Maria e é isso que queremos mostrar neste artigo.

Como é sabido por todos, depois que o Anjo Anunciou a Maria que ela seria mãe do Salvador, por obra do Espirito Santo, foi-lhe anunciado também que sua prima Isabel estava grávida, havia concebido um filho da velhice. Esta informação dada pelo Anjo pareceu a Maria uma indicação da vontade de Deus. Por isso, logo foi à casa de Isabel para servi-la em suas necessidades. Depois de três messes ela retorna a sua casa.

José nem mesmo suspeitava que Maria trazia em seu ventre o Filho de Deus Encarnado, que mais tarde iria revelar o caminho da verdadeira santidade: “Quem quiser vir após mim negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mc 8, 34). No entanto, mesmo antes que o Cristo pronunciasse essas palavras, José teve que experimentar o peso de carregar uma dolorosa cruz, para que assim pudesse ser pai adotivo do crucificado[2].

Depois que Maria retorna a Nazaré, aos poucos, algo começa a ficar evidente: há uma criança em seu ventre. Isso faz com que uma angustia mortal se apodere da alma de José. Donde surge a pergunta: José terá duvidado da virgindade de Maria? Algumas pessoas pensam que sim, mas nós, juntamente com São Jerônimo, acreditamos que “José, conhecendo a virtude de Maria, envolveu no silêncio aquilo cujo mistério ignorava”[3]. Sua confiança em Maria continuava intacta. Era impossível pensar em uma culpa de Maria, sendo que ele conhecia perfeitissimamente sua incomparável pureza e seu voto de virgindade[4].

Mas, porque Maria não contava nada a respeito do Anuncio do Anjo? José não tinha o direito de saber o que ocorrera? Ora, Maria poderia acabar com o sofrimento de José com uma única palavra, pois ele certamente acreditaria naquilo que ela dissesse. Contudo, se a Virgem Santíssima se calou é porque teve os seus motivos. Um deles é o de que o anjo não havia lhe indicado que deveria comunicar este mistério a José[5]. Maria não se acha autorizada por Deus a revelar algo tão profundo, ela crê que Deus mesmo há de manifestar o mistério do nascimento do Filho de Deus a José. Este silêncio causava sofrimento nele, mas também em Maria, pois ela vê o sofrimento de José e sofre com ele[6].

José não procura interrogar a Virgem Santíssima porque sabe que se ela guarda silêncio é porque o mistério que a envolve não a autoriza a falar. Mas, ao mesmo tempo, ele não pode conservá-la consigo, pois seria ir contra a lei de Moisés que mandava entregá-la ao tribunal. Diante disso, o justo José encontra uma solução: aceita carregar a cruz, negando-se a si mesmo, para que o mistério que ocorrera em Maria pudesse ser conservado. Não querendo intrometer-se em tal mistério, para o qual não tinha sido chamado a participar, decide deixar Maria em segredo[7].

Com isso José consegue salvar a dignidade de Maria, não descumpre a lei, com o preço de assim difamar a si mesmo[8]. Este sacrifício feito a Deus consistiu na dolorosa paixão daquele que estava destinado a ser o pai adotivo do crucificado. Mas, porque Deus exigiria tamanha dor daquele que haveria de acariciar com tanto amor o menino Deus? Ora, é justamente pelo grandioso amor que Deus lhe tem e pela grandiosa missão a qual estava destinado, que lhe foi reservado um pedaço tão grande da arvore da vida: a cruz. José que morreria e não poderia estar presente na crucificação de Jesus, viveu-a já aqui, quando a abraçou por amor à Deus e à Virgem Santíssima.

No entanto, enquanto pensava na decisão que havia tomado, eis que o anjo do Senhor lhe aparece em sonho, para acabar com tamanha aflição. Ele lhe diz: “José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado vem do Espirito Santo”. (Mt 1, 20).

Enfim, as angustias se transformaram em alegria indizível. Quão belo deve ter sido o encontro de José com Maria, depois deste sonho milagroso. Quando Maria viu o sorriso nos lábios puríssimos deste homem justo, ela não teve dúvidas: foi-lhe revelado por Deus o grandioso mistério da Encarnação do Filho de Deus. Agora, o olhar terno de José vê a Virgem Santíssima ainda mais bela, mais pura e mais divina[9].

 

Irmão Gino da Imaculada Conceição, SDM

 

 


 

[1] GARRIGOU-LAGRANGE, Reginald. A missão excepcional de José. In: http://permanencia.org.br/drupal/node/412.

[2] GASNIER, Michel. José, o silencioso. São Paulo: Quadrante, 1995, pp. 53-54.

[3] SÃO JERÔNIMO. Apud: Ibid., p. 56.

[4] ROYO MARÍN, Antonio. La virgen María: Teología y espiritualidade marianas. Madrid: BAC, 1958, p. 13.

[5] Ibid.

[6] GASNIER. Op. Cit., p. 56.

[7] Ibid., 1995, pp. 56-57.

[8] Ibid., p. 58.

[9] GASNIER. Op. Cit., p. 63.

 

 

 

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