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Fátima
"Por fim, o meu Imaculado Coração Triunfará"
 
 
Publicado em 8 de Fevereiro de 2017
 

As aparições de Fátima são um acontecimento marcante na Igreja Católica, não apenas pela importância que assumiram para inúmeras pessoas e pela sua extensa divulgação no mundo, mas também pela sua íntima ligação à mensagem evangélica, pela profundidade com que marcam a vivência da fé de muitos dos católicos e pelo alcance profético dos seus apelos. A Igreja confirmou que elas apresentam uma proposta credível e válida de concretização da vida cristã.

Com efeito, a mensagem de Fátima é eloquente para os crentes de todos os tempos; não ficou presa a uma época passada mas projeta um dinamismo para o nosso presente e abre horizontes de fé para o futuro da história humana. Uma vez que os acontecimentos de Fátima são um apelo à humanidade do nosso tempo, também a celebração do primeiro centenário procura ser mais um instrumento deste apelo atual. Não se trata, portanto, de assinalar simplesmente uma efeméride histórica, cujas repercussões se reduzem a um momento do passado.

A peregrinação do papa Bento XVI à Cova da Iria, em maio de 2010, na sequência das dos seus predecessores, mostra-nos, de algum modo, que na mensagem de Fátima há um conjunto de elementos que a podem tornar veículo de evangelização, caminho para a conversão e para o encontro com Jesus Cristo. Neste sentido, também esta celebração deverá ser um contributo qualificado para aprofundar e atualizar esta mensagem; poderá constituir um impulso na renovação e fortalecimento da fé, apresentar-se-á como um auxílio para o crescimento espiritual do povo de Deus.

Por isso, a celebração deste centenário é, antes de mais e sobretudo, um projeto pastoral, que privilegia o cariz espiritual e de reflexão da fé. Os seus objetivos são de caráter religioso, nas suas diversas vertentes (teológica, celebrativa, espiritual, catequética...) e dimensões (pessoal, comunitária, social...).

 

Os aspetos de âmbito cultural ou social também têm lugar nestas comemorações, mas sempre na perspectiva da missão: são meio privilegiado para chegar aos que se situam afetivamente distantes da Igreja, são expressão da fé que se celebra, são concretização cristã das realidades humanas.

 

 

Narrativa das Aparições de Nossa Senhora de Fátima

Memórias da Irmã Lúcia I.

(14.ª ed. Fátima: Secretariado dos Pastorinhos, 2010)

 

 

Manifestações de 1915

 

Em 1915, no cimo do Monte do Cabeço, Lúcia e três suas companheiras – Teresa Matias, sua irmã Maria Rosa e Maria Justino – presenciaram manifestações assim descritas nas Memórias da vidente:

 

«Mal tínhamos começado [a rezar o terço], quando, diante de nossos olhos, vemos, como que suspensa no ar, sobre o arvoredo, uma figura como se fosse uma estátua de neve que os raios de sol tornavam algo transparente.

– Que é aquilo? – Perguntaram as minhas companheiras, meias assustadas.

– Não sei!

 

Continuámos a nossa reza, sempre com os olhos fitos na dita figura que, assim que terminámos, desapareceu.»

 

 

 

 

Primeira aparição do Anjo

 

Local: Loca do Cabeço, Pregueira nos Valinhos

 

Data: primavera de 1916

 

«– Não temais! Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural, imitámo-lo e repetimos as palavras que lhe ouvimos pronunciar:

– Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam, e não vos amam.

Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:

 

– Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas.»

  

 Segunda aparição do Anjo

 

Local: Quintal da casa de Lúcia, junto ao Poço do Arneiro

 

Data: verão de 1916

 

 

 

«– Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.

– Como nos havemos de sacrificar? – perguntei.

 

– De tudo que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.»

 

 

Terceira aparição do Anjo

 

Local: Loca do Cabeço

 

Data: outono de 1916

 

 

«[...] trazendo na mão um cálice e sobre ele uma Hóstia, da qual caíam, dentro do cálice, algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração:

– Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.

Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a Hóstia e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo:

– Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus.

De novo se prostrou em terra e repetiu connosco mais três vezes a mesma oração.

 

– Santíssima Trindade... etc.»

 

 

Ciclo Mariano: aparições de Nossa Senhora no ano de 1917

 

 

 

 

Primeira aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Cova da Iria

 

Data: 13 de maio de 1917

 

«– Não tenhais medo! Eu não vos faço mal!

– De onde é Vossemecê? – lhe perguntei.

– Sou do Céu.

– E que é que Vossemecê me quer?

– Vim para vos pedir que venhais aqui, seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez.

[– Vossemecê sabe-me dizer se a guerra ainda dura muito tempo ou se acaba breve?

– Não te posso dizer ainda enquanto não te disser também o que quero.]

– E eu também vou para o Céu?

– Sim, vais.

– E a Jacinta?

– Também.

– E o Francisco?

– Também, mas tem que rezar muitos Terços.

[...]

– E a Maria das Neves já está no Céu?

– Sim, está.

– E a Amélia?

– Estará no purgatório até ao fim do mundo.

[...]

– Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?

– Sim, queremos!

– Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.

Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos. Então por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:

– Ó Santíssima Trindade, eu vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.

Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:

 

– Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.»

 

 

Segunda aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Cova da Iria

 

Data: 13 de junho de 1917

 

Pessoas presentes: 50 a 60

 

«– Vossemecê que me quer? – perguntei.

– Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o Terço e que aprendam a ler. Depois direi o que quero.

Pedi a cura dum doente.

– Se se converter, curar-se-á durante o ano.

– Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.

– Sim; a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. [A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o Seu trono].

– Fico cá sozinha? – perguntei, com pena.

– Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.

 

Foi no momento em que disse estas últimas palavras que abriu as mãos e nos comunicou, pela segunda vez, o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em Deus. A Jacinta e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração cercado de espinhos que parecia estarem-lhe cravados. Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que queria reparação.»

 

 

 

 

 

Terceira aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Cova da Iria

 

Data: 13 de julho de 1917

 

Pessoas presentes: 4000 a 5000 ou 2000 a 3000

 

«– Vossemecê que me quer?

– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

– Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.

– Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

[– Tenho aqui um pedido se Vossemecê converte uma mulher do Pedrógão e uma da Fátima e se melhora um menino da Moita.

Ela disse que os convertia e melhorava entre um ano.]

– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes alguns sacrifícios: "Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.

O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes [incêndios], sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor (deveu ser ao deparar-me com esta vista que dei esse ai! que dizem ter-me ouvido). Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transpa
rentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

– Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer
 estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da Fé.

{Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: "Penitência, Penitência, Penitência!" E vimos numa luz imensa que é Deus algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante um Bispo vestido de Branco; tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vários outros Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.}

Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.

Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem".

Seguiu-se um instante de silêncio e perguntei:

– Vossemecê não me quer mais nada?

 

– Não. Hoje não te quero mais nada.»

 

 

 

Quarta aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Valinhos

 

Data: 19 de agosto de 1917

 

Pessoas presentes (no dia 13): 15000 a 18000, embora alguns escritos falem de apenas 5000

 

«– Que é que Vossemecê me quer?

– Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13, que continueis a rezar o Terço todos os dias. No último mês, farei o milagre para que todos acreditem. [Se não tivessem abalado contigo para a Aldeia seria o Milagre mais conhecido; havia de vir São José com o Menino Jesus para dar a paz ao mundo e havia de vir Nosso Senhor benzer o povo, vinha Nossa Senhora do Rosário com um Anjo de cada lado e Nossa Senhora com um arco de flores à roda.]

– Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?

– Façam dois andores: um leva-lo tu com a Jacinta e outras duas meninas, vestidas de branco; o outro leva-o o Francisco com três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a ajuda duma capela que hão-de mandar fazer.

– Queria pedir-lhe a cura dalguns doentes.

– Sim, alguns curarei durante o ano.

E tomando um aspecto mais triste:

 

– Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas.»

 

 

Quinta aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Cova da Iria

 

Data: 13 de setembro de 1917

 

Pessoas presentes: 20000 a 30000

 

«– Continuem a rezar o Terço a Nossa Senhora do Rosário, todos os dias, [que abrande ela a guerra] para alcançarem o fim da guerra, [que a guerra está para acabar]. Em Outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, S. José com o Menino Jesus para abençoarem o Mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda; trazei-a só durante o dia.

– Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, dum surdo-mudo.

– Alguns curarei, outros não, [porque Nosso Senhor não quer crer neles]. Em Outubro farei o milagre para que todos acreditem.

[– O povo muito gostava aqui duma capelinha.

– [De] metade do dinheiro que juntaram até hoje façam dois andores e dêem-nos à Senhora do Rosário; a outra metade seja para ajuda da capelinha.

Ofereci-lhe duas cartas e um vidro com água-de-cheiro.

– Deram-me isto, se Vossemecê os quer.

 

– Isso não é conveniente lá para o Céu.]»

 

 

 

 

Sexta aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Cova da Iria

 

Data: 13 de outubro de 1917

 

Pessoas presentes: 50000 a 70000

 

«– Que é que Vossemecê me quer?

– Quero dizer-te que façam aqui uma capela em Minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar [ainda hoje] e os militares voltarão em breve para as suas casas.

– Eu tinha muitas coisas para Lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc.

– Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados.

E tomando um aspecto mais triste:

– Não ofendam mais a Nosso Senhor que já está muito ofendido! {Se o povo se emendar, acaba a guerra e, se não se emendar, acaba o mundo.}

[– Ainda me quer mais alguma coisa?

– Já não quero mais nada.]

E, abrindo as mãos, fê-las reflectir no Sol. E enquanto que se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projectar no Sol.

[...]

 

Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do firmamento, vimos, ao lado do sol, S. José com o Menino e Nossa Senhora vestida de branco, com um manto azul. São José com o Menino pareciam abençoar o Mundo, com os gestos que faziam com a mão em forma de cruz. Pouco depois, desvanecida esta aparição, vi Nosso Senhor e Nossa Senhora que me dava a ideia de ser Nossa Senhora das Dores. Nosso Senhor parecia abençoar o mundo da mesma forma que São José. Desvaneceu-se esta aparição e pareceu-me ver ainda Nossa Senhora em forma semelhante a Nossa Senhora do Carmo.»

 

 

 

 

Sétima aparição de Nossa Senhora

 

 

Local: Cova da Iria

 

Data: 15 de junho de 1921

 

Contexto: Véspera da partida de Lúcia para o asilo do Vilar

 

D. José encontrou-se pela primeira vez com Lúcia por volta de 1920-1921 e interrogou-a acerca dos acontecimentos. Propôs-lhe deixar Fátima para ir para o Porto, porque lá ainda não era conhecida.

Do diário da Irmã Lúcia:

 

«De novo, em Fátima, guardei inviolável o meu segredo. Mas a alegria que senti ao despedir-me do Senhor Bispo, durou pouco tempo. Lembrava-me dos meus familiares, da casa paterna, da Cova da Iria, Cabeço, Valinhos, do poço… e agora deixar tudo, assim, de uma vez para sempre? Para ir não sei bem para onde…? Disse ao Sr. Bispo que sim, mas agora vou dizer-lhe que me arrependi e que para aí não quero ir.»

 

Estava nesta luta, quando foi à Cova da Iria:

 

«Assim solícita, mais uma vez desceste à terra, e foi então que senti a Tua mão amiga e maternal tocar-me no ombro; levantei o olhar e vi-Te, eras Tu, a Mãe bendita a dar-me a mão e a indicar-me o caminho; os Teus lábios descerraram-se e o doce timbre da tua voz restituiu a luz e a paz à minha alma: "Aqui estou pela sétima vez, vai, segue o caminho por onde o Senhor Bispo te quiser levar, essa é a vontade de Deus."

 

Repeti então o meu "sim", agora bem mais consciente do que, o do dia 13 de Maio de 1917 e enquanto que de novo Te elevavas ao Céu, como num relance, passou-me pelo espírito toda a série de maravilhas que naquele mesmo lugar, havia apenas quatro anos, ali me tinha sido dado contemplar.»

 

 

 

Ciclo Cordimariano, de 1925 a 1929

 

 

 

 

 

Aparição de Nossa Senhora

Carta da Irmã Lúcia, a partir de Tuy, datada de 17 de dezembro ele 1927

  

 

Local: no quarto da Lúcia, em Pontevedra

 

Data: 10 de dezembro de 1925

 

«Apareceu-lhe a SS. Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem, um Menino. A SS. Virgem, pondo-lhe no ombro a mão e mostrando, ao mesmo tempo, um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos.

Ao mesmo tempo, disse o Menino:

– Tem pena do Coração da tua SS. Mãe que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam sem haver quem faça um acto de reparação para os tirar.

Em seguida disse a SS. Virgem:

 

– Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que todos aqueles que durante cinco meses, ao primeiro sábado, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem o Terço e me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 Mistérios do Rosário com fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.»

 

 

 

Aparição do Menino Jesus

(Carta da Irmã Lúcia a Mons. Pereira Lopes, seu confessor)

 

 

Local: no quintal, em Pontevedra

 

Data: 15 de fevereiro de 1926

 

«No dia 15-2-1926, voltando eu lá [a deitar um apanhador de lixo fora do quintal], como é costume, encontrei ali uma criança que me parecia ser a mesma [que já encontrara uma vez antes] e perguntei-lhe então:

– Tens pedido o Menino Jesus à Mãe do Céu?

A Criança volta-se para mim e diz:

– E tu tens espalhado, pelo mundo, aquilo que a Mãe do Céu te pediu?

E, nisto, transforma-se num Menino resplandecente. Conhecendo, então, que era Jesus, disse:

– Meu Jesus! Vós bem sabeis o que o meu confessor me disse na carta que Vos li. Dizia que era preciso que aquela visão se repetisse, que houvesse factos para que fosse acreditada, e a Madre Superiora, só, a espalhar este facto, nada podia.

– É verdade que a Madre Superiora só, nada pode; mas, com a Minha graça, pode tudo. E basta que o teu Confessor te dê licença, e a tua Superiora o diga, para que seja acreditado, até sem se saber a quem foi revelado.

– Mas o meu Confessor dizia na carta que esta devoção não fazia falta no mundo, porque já havia muitas almas que Vos recebiam, aos primeiros sábados, em honra de Nossa Senhora e dos 15 Mistérios do Rosário.

– É verdade, minha filha, que muitas almas os começam, mas poucas os acabam; e as que os terminam, é com o fim de receberem as graças que aí estão prometidas; e Me agradam mais as que fizerem os cinco com fervor e com o fim de desagravar o Coração da tua Mãe do Céu, que os que fizerem os 15, tíbios e indiferentes…

 

{– Meu Jesus! Muitas almas têm dificuldade em se confessar ao sábado. Se Vós permitísseis que a confissão de oito dias fosse válida?

 

 

Aparição da Santíssima Trindade e Nossa Senhora

(Descrição da Irmã Lúcia ao Pe. José Bernardo Gonçalves, seu confessor)

 

 

Local: na capela, em Tuy

 

Data: 13 de junho de 1929

 

«A única luz era a da lâmpada. De repente, iluminou-se toda a capela com uma luz sobrenatural e sobre o altar apareceu uma Cruz de luz que chegava até ao tecto.

Em uma luz mais clara via-se, na parte superior da Cruz, uma face de homem com o corpo até à cinta, sobre o peito uma pomba também de luz e, pregado na Cruz, o corpo de outro homem. Um pouco abaixo da cinta, suspenso no ar, via-se um cálice e uma hóstia grande, sobre a qual caíam algumas gotas de sangue que corriam pelas faces do Crucificado e de uma ferida do peito.

Escorregando pela Hóstia, essas gotas caíam dentro do Cálice.

Sob o braço direito da Cruz estava Nossa Senhora ("era Nossa Senhora de Fátima com seu Imaculado Coração ... na mão esquerda, … sem espada nem rosas, mas com uma coroa de espinhos e chamas") com seu Imaculado Coração na mão...

Sob o braço esquerdo, umas letras grandes, como se fossem de água cristalina que corressem para cima do altar, formavam estas palavras: "Graça e Misericórdia".

Compreendi que me era mostrado o mistério da Santíssima Trindade, e recebi luzes sobre este mistério que me não é permitido revelar.

Depois Nossa Senhora disse-me:

– É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todosos Bispos do mundo, a consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra Mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora.

Dei conta disto ao meu confessor, que me mandou escrever o que Nosso Senhor queria se fizesse.

Mais tarde, por meio duma comunicação íntima, Nossa Senhora disse-me, queixando-Se:

 

– Não quiseram atender ao Meu pedido!... Como o rei de França, arrepender-se-ão e fá-la-ão, mas será tarde. A Rússia terá já espalhado os seus erros pelo Mundo, provocando guerras, perseguições à Igreja: o Santo Padre terá muito que sofrer.» 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:

 

 

 

 

 

 

“O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”

 

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O Espírito Santo, que renova a face da terra, torna os membros desta Família atentos aos sinais dos tempos e os faz reconhecer no Culto e na Devoção à Divina Misericórdia um dom proveniente do Céu, em graus de curar radicalmente os males que insidiam o homem, sobretudo quando este sofre, quando é ameaçado no próprio coração da sua existência e da sua dignidade (cf. DM 2).
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